segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tirar a poeira dos sonhos



Psst disse-me a lua, anda comigo. Vou-te pegar no meu colo para juntas tirarmos a poeira dos sonhos. Para onde vamos quis saber sôfrega? Vamos onde a estrada não acaba. De mãos dadas, percorrer os caminhos que desafiam os nossos desejos, as nossas ansiedades, a nossa sede e a nossa fome. Fome e sede de sonhos onde o nada vale por tudo. Desejo e ânsia de sonhos que não acabam. Feitos de tudo para que nunca acabem em nada. Com a boca vou-te contar segredos, pousando ao ouvido da tua. Vou juntar-me ao teu peito no lugar onde adormecemos as nossas almas puras, nuas e fazer-te entender as cores dos sonhos. Eles vão dentro das malas que guardam as viagens, num arco-íris de prazeres.  
Já chegou a noite e tu com ela para me desassossegares, mas sem ti seria meio inteira. E num passo leve e sensual, a flecha certeira faz alquimia na minha imaginação. Vou contigo sim, sentar-me no teu ventre e fazer o que me resta, tirar a poeira dos sonhos. Ou guardá-los na mala para a próxima viagem, num dos meus sonhos. Voei para um lugar sem gravidade para deixar o peso do que não me faz falta. Bem vistas as coisas lua, nem preciso de dormir para sonhar. Apenas preciso de espaço para dar lugar aos novos sonhos.

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